Cadastro Positivo: como o histórico de pagamentos pode reduzir seus juros - Blog Masterix
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Um estudo do Banco Central publicado em abril de 2021, intitulado “Análise dos efeitos do Cadastro Positivo”, mostrou que tomadores de crédito com pontuação no Cadastro Positivo obtiveram, em média, uma redução de 10,4% nos spreads bancários em comparação com quem não estava cadastrado — o equivalente a cerca de 31 pontos percentuais, considerando a taxa média de 299% ao ano observada na amostra analisada. Entre os tomadores que tiveram melhora expressiva no escore, a redução chegou a 15,9%, ou cerca de 40 pontos percentuais. O levantamento avaliou operações de crédito concedidas entre agosto e dezembro de 2020.

Passados mais de cinco anos da publicação, o mecanismo por trás desse resultado continua o mesmo e segue relevante em 2026: quanto mais informação positiva sobre o comportamento de pagamento de uma pessoa está disponível para as instituições financeiras, menor tende a ser o risco percebido — e, com ele, o juro cobrado.

O que é o Cadastro Positivo

O Cadastro Positivo reúne o histórico de pagamentos de uma pessoa física ou jurídica — contas, financiamentos, cartões, empréstimos — de forma automática, desde que a pessoa não tenha optado por sair do sistema. Diferentemente do modelo anterior, baseado apenas em registros de inadimplência (o chamado “cadastro negativo”), o Cadastro Positivo também registra o bom pagador, permitindo que instituições financeiras avaliem o risco de crédito de forma mais completa.

Bureaus de crédito como Serasa, Boa Vista e Quod operam essas bases, sob regulação do Banco Central, que também mantém o Sistema de Informações de Crédito (SCR), usado pelas instituições financeiras para consultar o histórico de operações de crédito de clientes.

Por que um bom histórico reduz os juros

Juros de crédito no Brasil embutem, além do custo de captação e de tributos, uma parcela relevante referente ao risco de inadimplência — o chamado spread bancário. Quanto mais incerteza a instituição financeira tem sobre a capacidade de pagamento de um cliente, maior tende a ser essa margem de segurança embutida na taxa.

O estudo do Banco Central mostrou exatamente esse efeito na prática: ao ter acesso a mais informações sobre o comportamento de pagamento de um cliente através do Cadastro Positivo, as instituições financeiras conseguiram precificar o risco de forma mais próxima da realidade de cada tomador — reduzindo a taxa para quem tinha bom histórico, em vez de aplicar uma taxa média mais alta para todo o grupo, como acontecia quando a informação disponível era mais limitada.

Indicador (estudo BC, dados ago–dez/2020) Resultado
Redução média de spread para quem está no Cadastro Positivo 10,4% (cerca de 31 p.p., sobre taxa média de 299% a.a. na amostra)
Redução para quem teve melhora expressiva de escore 15,9% (cerca de 40 p.p., sobre taxa média de 257% a.a. na amostra)
Efeito adicional observado Aumento da taxa de aprovação de novos tomadores, especialmente em crédito de consumo

O que fazer para aproveitar o Cadastro Positivo

Vale lembrar: nem todo crédito segue essa lógica igualmente

O efeito do Cadastro Positivo tende a ser mais relevante em modalidades de crédito livre, onde a instituição financeira tem mais liberdade para precificar o risco individualmente — caso do crédito pessoal, por exemplo. Em linhas com garantia mais forte, como o consignado com desconto em folha, o peso do histórico de pagamento no cálculo da taxa costuma ser menor, já que o risco de inadimplência já é mitigado pela própria garantia.

O que esperar a seguir

O Cadastro Positivo segue em uso ativo no mercado de crédito brasileiro, com bureaus de crédito atualizando continuamente as bases de dados. Não há, até o momento, um novo estudo público e abrangente do Banco Central atualizando os números de 2021 com dados mais recentes — mas o mecanismo de funcionamento, e o incentivo a manter um bom histórico de pagamentos, continua o mesmo.

Perguntas frequentes

O Cadastro Positivo é automático ou preciso me inscrever?

É automático. Toda pessoa com CPF é incluída, salvo se optar formalmente por sair do sistema junto aos bureaus de crédito.

O Cadastro Positivo garante juros menores para todo mundo?

Não garante um resultado individual específico. O que o estudo do Banco Central mostrou foi uma redução média de spread para o grupo de tomadores com bom histórico no Cadastro Positivo, não uma taxa fixa para cada pessoa.

Como faço para ver minhas informações no Cadastro Positivo?

É possível consultar score e histórico gratuitamente em plataformas de bureaus de crédito como Serasa, Boa Vista e Quod.

Sair do Cadastro Positivo ajuda a conseguir crédito mais barato?

Normalmente não. Sair do sistema tende a reduzir a informação disponível sobre o bom histórico de pagamento, o que pode dificultar, e não facilitar, o acesso a taxas menores.

O Cadastro Positivo substitui a consulta a nomes negativados?

Não. Ele complementa essa informação, somando dados de bom pagador ao histórico de inadimplência já existente nos bureaus de crédito.

Conclusão

O estudo do Banco Central de abril de 2021 deu números concretos a algo que o mercado de crédito já intuía: manter um bom histórico de pagamentos, registrado no Cadastro Positivo, tende a reduzir os juros cobrados em novas operações de crédito. O efeito não é garantido caso a caso, mas o caminho para aproveitá-lo é simples — pagar em dia, acompanhar o próprio score e evitar pendências.

Veja também: por que os juros do crédito pessoal seguem em patamar elevado no Brasil

Este artigo tem caráter informativo, baseado em estudo público do Banco Central, e não constitui recomendação de crédito.