O CET no empréstimo pessoal é o indicador que mostra, em uma única porcentagem, quanto o crédito vai custar de verdade — juros, tarifas, seguros e impostos incluídos. Se você já comparou duas propostas de empréstimo e ficou em dúvida sobre qual é realmente mais barata, o CET é o número que resolve essa dúvida, não a taxa de juros anunciada em letras grandes no site do banco.
Bancos e fintechs costumam destacar a taxa de juros nominal porque ela parece mais baixa e atrai o cliente. Mas essa taxa não representa o custo total da operação. O Conselho Monetário Nacional (CMN) obriga as instituições financeiras a informar o CET antes da contratação justamente para evitar essa distorção. Neste guia, você entende o que compõe o CET, como ele é calculado, o que observar no contrato e como usá-lo para negociar uma condição melhor.
Resumo rápido
| Ponto | O que saber |
|---|---|
| O que é | Percentual que soma juros, tarifas, seguros e impostos (IOF) de um empréstimo, expresso ao mês e ao ano |
| Para quem serve | Qualquer pessoa comparando propostas de empréstimo pessoal, consignado, financiamento ou cartão |
| Obrigatoriedade | Instituições financeiras são obrigadas a informar o CET antes da assinatura do contrato (regra do CMN) |
| Taxa média de mercado | Juros do empréstimo pessoal ficaram em 8,66% ao mês em setembro de 2026, segundo pesquisa do Procon-SP — o CET tende a ficar acima desse número |
| Onde conferir | Contrato de crédito, proposta formal do banco ou simulador oficial da instituição |
Como funciona o CET
O Custo Efetivo Total nasceu de uma exigência regulatória para dar transparência ao crédito no Brasil. Hoje a Resolução CMN 4.881/2020 detalha as regras de cálculo e divulgação. Na prática, o CET junta em um único percentual:
- Os juros remuneratórios da operação (a taxa que o banco cobra para emprestar o dinheiro).
- Tarifas administrativas e de cadastro, quando existirem.
- Seguros vinculados ao contrato, como seguro prestamista, caso sejam obrigatórios para fechar o negócio.
- Impostos, principalmente o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
- Qualquer outro encargo cobrado como condição para a liberação do crédito.
O resultado é apresentado como taxa mensal e taxa anual. É esse número — e não a “taxa de juros a partir de X% ao mês” do anúncio — que mostra quanto o empréstimo vai custar do primeiro ao último dia.
Por que o CET costuma ser maior que a taxa de juros
A taxa de juros nominal é só uma parte da conta. Se o contrato tem seguro embutido, tarifa de TAC (Taxa de Abertura de Crédito, quando cobrada) ou qualquer outro custo obrigatório, o CET sobe. Em muitos casos a diferença é pequena, mas em contratos com seguro prestamista obrigatório ou tarifas extras, o CET pode ficar visivelmente acima da taxa de juros anunciada.
Custos que entram na conta do CET
Antes de assinar, vale entender separadamente cada componente que pode aparecer no seu CET.
IOF sobre o empréstimo
O IOF incide sobre operações de crédito para pessoa física e, desde julho de 2025, é cobrado em duas partes: uma alíquota fixa de 0,38% sobre o valor contratado e uma alíquota diária de 0,0082%, limitada a 365 dias de contrato. Em um empréstimo de R$ 10.000 pago em 12 meses, por exemplo, o IOF já soma uma fração relevante do custo total — e esse valor entra automaticamente no CET. Como as regras de IOF podem ser ajustadas por decreto, confirme a alíquota vigente no momento da contratação diretamente com a instituição ou no site do Banco Central.
Juros e forma de capitalização
Os juros do empréstimo pessoal costumam ser compostos (juros sobre juros) e capitalizados mensalmente. Segundo o Procon-SP, a taxa média cobrada pelos bancos para empréstimo pessoal subiu para 8,66% ao mês em setembro de 2026, o equivalente a cerca de 170,87% ao ano — mas há diferença de vários pontos percentuais entre a instituição mais cara e a mais barata pesquisada. Isso reforça por que comparar só a taxa nominal não é suficiente: o CET incorpora a capitalização composta ao longo de todo o prazo.
Seguros e tarifas
Alguns contratos condicionam a liberação do crédito à contratação de um seguro prestamista, que cobre o saldo devedor em caso de morte ou invalidez do tomador. Quando esse seguro é obrigatório para fechar o negócio, ele precisa entrar no CET. Já tarifas de cadastro ou de abertura de crédito, quando cobradas, também compõem o cálculo. Desconfie de qualquer proposta em que o vendedor destaque só a taxa de juros e evite falar no CET — pergunte diretamente por ele.
Vantagens e desvantagens de olhar o CET
- Vantagem: permite comparar propostas de bancos diferentes de forma justa, porque todos são obrigados a calcular o CET da mesma maneira.
- Vantagem: expõe custos escondidos, como seguros e tarifas, que não aparecem na taxa de juros anunciada.
- Vantagem: ajuda a negociar — mostrar ao gerente que você já sabe o CET de outra instituição é um argumento concreto.
- Desvantagem: o CET só aparece de forma oficial depois que você já iniciou uma simulação formal ou proposta de contrato, o que exige um passo a mais antes da comparação.
- Desvantagem: o percentual pode variar conforme o prazo escolhido, então é preciso comparar sempre no mesmo prazo entre instituições diferentes.
Como comparar o CET na prática: passo a passo
- Simule o mesmo valor e o mesmo prazo em pelo menos três instituições — banco onde você já tem conta, um banco digital e uma fintech de crédito.
- Peça o CET por escrito em cada simulação, não apenas a taxa de juros. A instituição é obrigada a fornecer esse número antes da assinatura.
- Verifique se há seguro obrigatório embutido na proposta e se ele já está somado ao CET informado.
- Compare o CET anual, não só o mensal — pequenas diferenças mensais se acumulam bastante ao longo de 12 ou 24 meses.
- Leia a simulação completa, incluindo valor da parcela, número de parcelas e valor total a pagar, antes de aceitar.
- Negocie com o CET mais baixo em mãos — muitas instituições reduzem a proposta quando o cliente mostra uma alternativa mais barata.
Para quem o CET faz diferença
Prestar atenção ao CET vale para qualquer pessoa que vá contratar empréstimo pessoal, financiamento de veículo, crédito consignado ou até parcelamento de cartão de crédito. Quanto maior o valor emprestado e mais longo o prazo, maior o impacto de um CET alto no bolso — por isso ele importa ainda mais em operações acima de alguns milhares de reais ou com prazos superiores a 12 meses.
CET x taxa de juros x IOF: qual a diferença
| Indicador | O que representa | Serve para comparar propostas? |
|---|---|---|
| Taxa de juros nominal | Só o custo do dinheiro emprestado, sem tarifas nem seguros | Não sozinha — é incompleta |
| IOF | Imposto federal sobre a operação de crédito | Não isoladamente — é um dos componentes do CET |
| CET | Soma de juros, tarifas, seguros e impostos, expressa ao mês e ao ano | Sim — é o número oficial de comparação |
Perguntas frequentes
CET é a mesma coisa que taxa de juros?
Não. A taxa de juros é só um dos componentes do CET. O CET soma juros, tarifas, seguros obrigatórios e impostos como o IOF, resultando em um percentual mais alto e mais realista do custo total do empréstimo.
O banco é obrigado a informar o CET antes de eu assinar o contrato?
Sim. As regras do Conselho Monetário Nacional exigem que instituições financeiras informem o CET, em percentual mensal e anual, antes da contratação do crédito.
Por que o CET pode variar entre bancos para o mesmo valor emprestado?
Porque cada instituição define sua própria taxa de juros, suas tarifas e se exige ou não seguro prestamista. Segundo levantamento do Procon-SP, a diferença entre a menor e a maior taxa de juros pesquisada entre bancos já passou de 2 pontos percentuais ao mês — o que se reflete diretamente no CET.
O IOF está sempre incluído no CET?
Sim, o IOF é um imposto obrigatório sobre operações de crédito para pessoa física e entra no cálculo do CET. Confirme a alíquota vigente com a instituição, já que as regras de IOF podem ser alteradas por decreto.
Um CET mais baixo garante a parcela mais baixa?
Não necessariamente. O CET mede o custo total em percentual, mas o valor da parcela depende também do prazo escolhido. Um prazo mais longo pode gerar parcela menor mesmo com CET parecido, só que o total pago ao final tende a ser maior.
Onde encontro o CET de um empréstimo antes de contratar?
Peça a simulação formal ou a proposta de crédito por escrito diretamente à instituição financeira. O CET deve constar nesse documento, junto com o valor das parcelas e o custo total da operação.
Vale a pena contratar o empréstimo com o menor CET mesmo se a parcela for um pouco maior?
Na maioria dos casos, sim, porque o CET menor significa que você pagará menos ao longo de todo o contrato. Mas avalie também se a parcela cabe no seu orçamento mensal sem comprometer outras contas.
Conclusão
O CET existe para tirar a comparação de empréstimo pessoal do terreno do achismo. Antes de assinar qualquer contrato, exija esse número por escrito, compare entre pelo menos três instituições no mesmo valor e prazo, e desconfie de qualquer proposta que só destaque a taxa de juros. É esse cuidado simples que evita pagar mais do que precisa por um crédito que parecia barato no anúncio.
Você será redirecionado para outro site.
Este conteúdo é educativo e não substitui a análise da proposta formal enviada pela instituição financeira escolhida. Taxas, tarifas e alíquotas de IOF podem mudar — confirme sempre os valores atualizados diretamente com o banco ou fintech antes de contratar.