No dia 25 de setembro de 2026, o IBGE divulgou o IPCA-15, prévia da inflação oficial, com alta de 0,70% em setembro. O número surpreendeu porque veio acima do esperado pelo mercado e reverteu o quadro de deflação registrado em agosto, quando o índice havia recuado. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses passou para 4,47%.
A aceleração de setembro tem uma explicação concentrada: a conta de energia elétrica. Em agosto, os consumidores receberam um desconto de 6,25% ligado ao bônus de Itaipu, que não se repetiu em setembro. Sem esse alívio pontual, o grupo de habitação subiu 7,42% no mês, puxando o índice geral para cima.
Como estava a inflação antes desse dado
Agosto de 2026 havia fechado com deflação no IPCA oficial, de -0,32%, resultado também influenciado pelo desconto na conta de luz e pela queda de preços de alguns alimentos. Isso levou parte do mercado a apostar em uma trajetória mais tranquila de preços para o segundo semestre. O IPCA-15 de setembro mostra que esse alívio foi, em boa parte, temporário — ligado a um fator específico de energia, e não a uma desaceleração ampla de preços.
| Período | Indicador | Variação |
|---|---|---|
| Agosto/2026 | IPCA (oficial, fechado) | -0,32% |
| Setembro/2026 | IPCA-15 (prévia) | +0,70% |
| Acumulado 12 meses (até a prévia de setembro/2026) | IPCA-15 | 4,47% |
O que isso tem a ver com o crédito
Inflação e crédito estão diretamente ligados porque o Banco Central usa a Selic como principal ferramenta para manter os preços sob controle. Em 16 de setembro de 2026, dias antes da divulgação do IPCA-15, o Copom havia reduzido a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, dando continuidade a um ciclo de cortes graduais. Um dado de inflação mais alto que o esperado, como o de setembro, tende a deixar o Banco Central mais cauteloso nas próximas decisões, porque reduz o espaço para cortes rápidos na taxa básica de juros.
Na prática, isso afeta o bolso de quem tem ou pretende contratar crédito de várias formas:
- Financiamentos e empréstimos com taxa prefixada tendem a acompanhar o movimento da Selic com alguma defasagem — se o ciclo de cortes desacelerar, a queda nas taxas de juros do crédito também pode ser mais lenta do que o esperado.
- Cartão de crédito rotativo e cheque especial, que já têm juros muito acima da média do mercado, continuam sendo as formas mais caras de crédito, independentemente da direção da Selic.
- Orçamento doméstico: contas de energia, alimentação e transporte pesam mais quando a inflação sobe, reduzindo a margem que sobra no fim do mês para pagar dívidas ou poupar.
O que esperar a seguir
Com um único mês de aceleração puxado por um fator concentrado (energia), ainda é cedo para falar em reversão da tendência de desinflação observada ao longo de 2026. O próprio IBGE e analistas de mercado tendem a esperar a divulgação do IPCA oficial de setembro, prevista para outubro, para confirmar se o movimento se sustenta em outros grupos de preços, como alimentação e serviços. O Copom, por sua vez, deve seguir avaliando reunião a reunião, sem se comprometer com um ritmo fixo de cortes na Selic.
Perguntas frequentes
O que é o IPCA-15?
É uma prévia da inflação oficial (IPCA), calculada pelo IBGE com um período de coleta de preços diferente do índice fechado do mês. Serve como termômetro antecipado da tendência de preços.
Por que a inflação subiu tanto em setembro depois da deflação de agosto?
O principal motivo foi o fim de um desconto temporário na conta de energia elétrica ligado ao bônus de Itaipu, que havia reduzido as tarifas em agosto e não se repetiu em setembro.
Inflação mais alta significa juros de empréstimo mais altos?
Não necessariamente de forma imediata, mas uma inflação persistentemente mais alta reduz o espaço para o Banco Central cortar a Selic, o que tende a manter as taxas de crédito em patamares mais elevados por mais tempo.
Como me proteger da inflação no orçamento doméstico?
Acompanhar os itens que mais pesam no seu orçamento (energia, alimentação, transporte), evitar dívidas caras como o rotativo do cartão e negociar antecipadamente contratos com taxa variável ajudam a reduzir o impacto.
Conclusão
O IPCA-15 de setembro de 2026 mostrou que a inflação no Brasil ainda tem sobressaltos, mesmo depois de meses de sinais mais favoráveis. Para quem tem crédito contratado ou planeja contratar, o recado é de cautela: acompanhar as próximas decisões do Copom e evitar comprometer o orçamento com dívidas de juros altos ajuda a atravessar esses períodos de oscilação com menos aperto.
Veja também: nosso guia sobre como a Selic afeta o crédito pessoal e o consignado
Este artigo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento ou previsão garantida sobre juros e inflação. Consulte sempre fontes oficiais, como IBGE e Banco Central, para dados atualizados.