Em 30 de julho de 2026, o Banco Central divulgou as Estatísticas Monetárias e de Crédito referentes a junho, mostrando que a taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas chegou a 64% ao ano, alta de 1,2 ponto percentual no mês e de 4,6 pontos percentuais em 12 meses. O relatório destacou que o principal responsável pela alta foi o aumento das taxas do crédito pessoal não consignado, que subiram 7 pontos percentuais no período.
O dado ajuda a explicar por que, mesmo com a Selic em trajetória de queda ao longo de 2026, boa parte dos juros cobrados do consumidor final continua em patamar historicamente alto — reforçando que a redução da taxa básica não se transfere de forma automática nem imediata para o crédito ao consumidor.
Por que o crédito livre às famílias tem juros tão altos
A taxa de 64% ao ano informada pelo Banco Central se refere ao crédito livre — modalidades sem direcionamento obrigatório de recursos, como crédito pessoal, cartão de crédito e financiamento de veículos, entre outras. Diferentemente do crédito consignado, que tem desconto direto em folha e por isso costuma ter taxas menores, o crédito livre embute um risco de inadimplência maior para as instituições financeiras, o que se reflete em taxas mais altas.
Dentro desse conjunto, o crédito pessoal não consignado — aquele contratado sem garantia de desconto em folha — foi apontado pelo próprio Banco Central como o principal fator de alta no período, com elevação de 7 pontos percentuais. Isso significa que quem recorre a esse tipo de empréstimo sem vínculo com desconto automático de salário ou benefício tende a pagar consideravelmente mais caro do que quem tem acesso a linhas consignadas.
E o rotativo do cartão de crédito?
Fora do crédito pessoal, o rotativo do cartão de crédito segue entre as modalidades mais caras do mercado brasileiro. Segundo reportagem baseada no Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, a taxa do rotativo ficou em 428,3% ao ano em março de 2026 — muito acima da taxa média geral de concessões de crédito no Sistema Financeiro Nacional, que no mesmo período estava em 33,1% ao ano.
| Modalidade | Taxa média informada pelo BC | Referência |
|---|---|---|
| Crédito livre às pessoas físicas (média geral) | 64% ao ano | Junho de 2026, divulgado em 30/07/2026 |
| Crédito pessoal não consignado (variação) | Alta de 7 p.p. no período | Junho de 2026, divulgado em 30/07/2026 |
| Rotativo do cartão de crédito | 428,3% ao ano | Março de 2026 |
A diferença entre essas taxas mostra que “crédito” não é uma categoria única: dentro do crédito livre, algumas modalidades custam dezenas de vezes mais do que outras, dependendo de garantias, prazo e risco de inadimplência.
O que isso muda na prática para quem usa crédito
- Antes de recorrer ao crédito pessoal sem garantia, vale comparar com alternativas que costumam ter taxas menores, como o consignado (para quem tem direito) ou linhas com garantia, como o consignado ou o crédito com veículo ou imóvel em garantia.
- Usar o rotativo do cartão, mesmo que por poucos dias, tende a ser uma das formas mais caras de crédito disponíveis — vale considerar o parcelamento da fatura ou outras linhas antes de deixar a dívida rolar no rotativo.
- Comparar o CET (Custo Efetivo Total) entre instituições, e não apenas a taxa de juros anunciada, ajuda a identificar o custo real de cada operação.
- Manter um bom histórico de pagamentos, incluindo dados do Cadastro Positivo, pode ajudar a conseguir taxas menores em negociações futuras.
O que esperar a seguir
O Banco Central divulga as Estatísticas Monetárias e de Crédito mensalmente, o que permite acompanhar se essa tendência de alta nos juros do crédito pessoal continua ou se começa a arrefecer à medida que a Selic segue em trajetória de queda gradual ao longo de 2026. Não é possível cravar, hoje, quando essa transmissão de juros mais baixos vai chegar de forma mais clara ao crédito pessoal e ao rotativo — historicamente, esse processo costuma ser lento.
Perguntas frequentes
Por que os juros do crédito pessoal subiram mesmo com a Selic caindo?
A transmissão da Selic para as taxas de varejo é gradual e depende de outros fatores, como risco de inadimplência e concorrência entre instituições. Segundo o Banco Central, o crédito pessoal não consignado teve alta de 7 pontos percentuais em junho de 2026, mesmo com a Selic em trajetória de queda.
Qual é a diferença entre crédito consignado e crédito pessoal não consignado?
O consignado tem desconto automático em folha de pagamento ou benefício, o que reduz o risco para quem empresta e costuma resultar em taxas menores. O não consignado não tem essa garantia, por isso tende a ser mais caro.
O rotativo do cartão realmente chega a mais de 400% ao ano?
Sim. Segundo dados do Banco Central citados em reportagens de 2026, a taxa do rotativo do cartão de crédito chegou a 428,3% ao ano em março de 2026.
Como fugir dos juros altos do crédito livre?
Comparar taxas entre instituições, priorizar linhas com garantia (como consignado, quando disponível) e evitar deixar a fatura do cartão no rotativo são formas de reduzir o custo do crédito.
Conclusão
Os dados divulgados pelo Banco Central em 30 de julho de 2026 mostram que o crédito livre às famílias, puxado pelo crédito pessoal não consignado, segue em patamar de juros elevado — mesmo com a Selic em trajetória de corte ao longo do ano. O rotativo do cartão continua entre as modalidades mais caras do mercado. Para quem precisa de crédito, comparar taxas e priorizar linhas com garantia segue sendo a forma mais eficaz de reduzir o custo total da dívida.
Veja também: como o Cadastro Positivo pode ajudar a conseguir juros menores
Este artigo tem caráter informativo, baseado em dados públicos do Banco Central, e não constitui recomendação de crédito.